Fenômeno Hecatombe-catástrofe em 1967 em Caraguá

38

Postado por Regina Ferreirinha | Curiosidades sobre cidades | 27-01-2010

Encontrei em um site esta interessante reportagem sobre uma  das cidades onde moro,[site www.boicucanga.com.br]

Estou transcrevendo como está no site para os meus amigos da cidade verem. No site originário de pesquisa vocês encontrarão mais informações. Vale a pena ler.

Por Alberto Borges, Jurandir Ferraz de Campos, Luiza Rodrigues de Toledo Prado e Vera        Felipe Malaquias da Silva

Textos extraídos do livro: SANTO ANTÔNIO DE CARAGUATATUBA
Memória e Tradições de um Povo
Organização e direção: Historiador prof. Jurandyr Ferraz de Campos
Pesquisador FUNDACC, 2000

O Município de Caraguatatuba, no Litoral Norte do Estado de São Paulo, assim como outras cidades litorâneas, está e sempre esteve à mercê de alguns fenômenos climáticos como longos períodos de copiosas e violentas chuvas, provocadoras de muitos estragos e grandes inundações.

Desde o século passado, do qual existe sobre Caraguá, farta documentação nos arquivos, são recorrentes as referências a grandes chuvas na região.
Eram raros os documentos desse período que não fizessem referência às chuvaradas do tempo das águas, causadoras de grandes estragos na estrada, particularmente no trecho da serra, inúmeras vezes inviabilizando o trânsito, com enormes prejuízos para todos.
Há um oficio ao presidente da Província, datado de 21 de Fevereiro de 1859, onde lemos:  ” …devido aos repetidos temporais de pesadas chuvas, que há mais de um mês desaba em todo o Município, em especial um que houve no dia 20 de Janeiro, que por um pouco não arrasa Caraguatatuba…” Lemos em Olga Cruz um fato semelhante a esses acontecido em 1944.

1967
Cada pedaço de terra de um bairro desta cidade poderá ter sepultado vários habitantes, transformando em um grande cemitério. Muitos corpos jamais foram encontrados, principalmente aqueles  que foram arrastados para o mar e impelidos pelas ondas para pontos bem distantes.

De acordo com o posto da Fazenda São Sebastão ou “dos Ingleses”  os níveis pluviométricos, no mês de março, registraram um índice máximo de 851,0 mm – sendo 115,0 mm no dia 17(março de 1967) e 420, 0 mm no dia seguinte, não acusando índice maior devido à saturação do pluviômetro.

O Rio Santo Antônio, que corta a cidade alargou-se de 40 para 200 metros.

Familias inteiras dessa pobre gente ficou soterrada sob toneladas de lama, sem que se saiba, até hoje, quem eram as pessoas, ou que nomes tinham!

Falou-se em 500, mas sabe-se que foram muitos, muitos mais…
No dia 18 , às 13 horas, veio a avalanche total de pedras árvores e lama dos morros Cruzeiro. Jaraguá, Jaraguazinho, próximos a cidade. Às 16h30, outra frente abria-se no Vale do rio Santo Antonio e este alargou-se de 10-20m para 60-80m.
No bairro Rio do Ouro, gigantescas barreiras começaram a cair pela manhã, formando uma enorme represa que estourou algumas horas mais tarde, desaparecendo com o bairro e provocando o deslocamento da ponte principal do rio Santo Antonio. Caso não tivesse acontecido esse deslocamento, a cidade inteira teria sido inundada e coberta pelas águas. A estrada da serra, em sua maior parte , foi destruída, não sendo possível reconhecer seu antigo traçado em muitos trechos, onde se formaram precipícios de mais de 100 m de profundidade.
A Estrada de Ubatuba sofreu quedas de barreiras nos trechos de Maranduba, Jituba, Sumaré .Em Caraguatatuba Prainha e Martim de Sá, recobrindo seu leito em 80 m de lama.

Um balanço da situação em 21 de março de 1967, apresenta o seguinte quadro:

1) 30 mil árvores desceram as encostas do morro e se espalharam em volta da cidade.

2) 5 mil troncos rolaram e soterraram casas, destruindo parte da BR-6.

3) 400 casas desapareceram debaixo da lama.

4) Um ônibus lotado de passageiros desapareceu e vários carros ficaram isolados.

5) Na Fazenda São Sebastião havia dezenas de mortos e feridos.

6) 3 mil pessoas, aproximadamente, perderam suas casas.
(Nota: o Município contava com 15 mil habitantes).

9) 120 mortos já haviam sido encontrados.(O número exato de mortos não poderão jamais ser computados, pois dezenas de pessoas desapareceram, não restando vestigios).

Comentários(38)

REGINA

PARABENS PELA MATERIA, MORO EM CARAGUA E ESTES DADOS FORAM MUITO ESCLARECEDORES
POIS ATÉ HOJE EU APENAS TINHA CONHECIMENTO DA TRAGÉDIA

Giane,obrigada pela visita.Quero escrever ainda mais sobre Caraguá.Esta cidade tem encantos que muitos não conhecem …

É… foi horrível.Eu era criança,mas
me lembro da catástrofe!

De fato imagino o sufoco.Fico em Caraguá ,quando começa chover fico muito apavorada.Isto porque lí muito a respeito,imagino quem vivenciou.Deve ser horrível.Obrigada pela visita.

Recentemente estive com minha familia Caraguatatuba em vários lugares , mas o que achei bonito em Caragua foi o Museu Cultural que apresenta e resgata a história do municipio com toda a catastrofe que aconteceu e sobretudo a união de todos na reconstrução da bela cidade que é motivo de orgulho dos municipes.Caragua está de parabens pela bela administração do governo municipal. Desejo a todo os municipes de Caragua um Ano 2011 com muita realizações e a Administração publica muito exito nas realizações.
Abraços:Horácio do Prado

Obrigada pela visita. Também estive e inclusive fotografei,realmente o povo de Caraguá é um povo de fibra .Passar o que passaram e chegar onde estão. Obrigada e apareça sempre .

Também estive no museu cultural ,Horácio e fotografei uma porção de quadros que fala a respeito da catástrofe.Pretendo colocar no artigo…

Sou Friburguense e sei muito tristemente dizer o que isso significa. Centenas de pessoas mortas, milhares feridos, outros milhares desabrigados e desalojados (como meu caso).
Uma pena que nossos administradores não façam uma administração séria para ajudar o povo que os elege para nos prevenir de tragédias dessa natureza. Afinal. tudo que acontece com nossos vizinhos, também podem nos atingir.
Que outras cidades Serranas aprendam com as nossas desgraças.
Dia 12/01/11 O dia da tragédia na Região Serrana

Concordo com você,afinal não existe uma política preventiva na manutenção das encostas ,dos leitos dos rios e principalmente na educação e conscientização do povo.Obrigada pela visita.

O museu tem muitos artigos , as pessoas que requerem saber mais sobre a história é só visitar um dos marcos de caraguá. E obrigado Regina por lembrar da nossa cidade mesmo sendo em um fato triste .

Bruno tenho mais textos sobre Caraguatatuba.Obrigada pela visita.

Os sobreviventes e familiares sabem muito bem que o governo escondeu números próximos de mortos, por que números exatos com certeza alguem vai poder informar .

È sempre assim Bruno.Nós nunca ficamos sabendo as verdades.Sempre há incógnitas nos fatos históricos.Estudei geografia e muita fato fica sem explicação.Mas como disse tenho muias homenagens a Caraguatatuba.Mococa,Praia da Palmeiras e etc.

Adorei muito a matéria …Gostei porque me ajudou muito no trabalho escolar que tenho que entregar

No meu texto tem um nome do site com mais informações e no centro de Caraguá tem várias matérias no Museu.Este museu fica na Praça principal da cidade. Bom trabalho,Débora…,nunca pesquise só em um lugar.

adorei a materia, muito interessante

Obrigada pela visita.Realmente foi um caos esta situação em 1967.Hoje Caraguá é uma cidade em grande desenvolvimento além de estar próxima a outros centros turísticos importantes d eSão Paulo.

Gostaria de saber caso fosse possivel o quanto o Bairro Jaraguazinho foi atingido ? E se existem registros precisos na prefeitura sobre a exata area atingida e pontos de deslizamento.

Obrigado !

Fiz alguns relatos baseados em um artigo de um blog citado nestes textos.Num museu no centro de Caraguá.não só tem os relatos desta catástrofe como há inúmeras fotos. Se tiver paciência qdo eu for a Caragua,moro em Sampa ,coloco via email o que me perguntou.Há tb. um livro escrito sobre o incidente.Envio via email o nome do mesmo.Obrigada pela leitura.

estou hoje com 72 anos de idade, e ainda hoje lembro o que passamos eu minha esposa e minha sogra um verdadeiro terror.. Encurtando o comentario ficamos 4 a 5 dias sem agua e sem comida. Graças a Deeus e uma luta ferrenha conseguimos voltar para Sao Paulo apos l2 horas de vigem em um fusca 63 que consegui salvar da inundaçao. Para falar desse assunto necessitaria de tempo e espaço para relatar com detalhes todo esse terrivel episodio que nos aconteceu. Assim sendo me coloco desde ja´´ a disposiçao para maiores detalhes.

sou um dos sobreviventes da catastrofe. Em 11/01/012 fiz um comentario . Hoje meu comentario foi excluido porque?

Sou sobrevivente da catastrofe de 1967, foi horrivel não consigo nem ver as imagens do Rio de Janeiro, que me lembra Caragua.

Um destes dia choveu muito por aqui . Fiquei com medo. Caraguá quase não tem para onde escoar água. Se todos
impermeabilizarem seus terrenos ficará dificil.

Não me lembro de ter excluido seu comentário. Fico contente em receber pessoas.Escrevo para que leiam. Vou ver se o comentário está por aqui ainda., Obrigada pela visita.

Obrigada senhor Elvio pela visita.Realmente a catástrofe de Caraguá foi um episódio muito triste.Gostaria que o senhor fosse colocando alguns detalhes vivenciados por aqui. As pessoas procuram muito este tópico para ler.Obrigada.

com seis anos de idade, eu presenciei o morro do jaraguazinho descer, soterrando muitas casas, meu pai e meus tios, soorreram muitas pessoas, levando-as pra nossa casa, no bairro poyares, meu pai tinha caminhão na época, e ajudou no q ele pode. Abraços. hj não moro em caragua, mas, pai, mae e irmãos e tios, estão todos ai

Deve ter sido horrível este momento…Obrigada pela visita Josué.

Olá…Sou estudante do sexto semestre do curso de História, escolhi para o meu TCC falar sobre a Tromba d’agua. Gostaria de, além, das pesquisas bibliográficas ter contado com quem viveu a tragédia. Desde já, agradeço o blog pela pesquisa que foi realizada e peço colaboração de quem puder me relatar o ocorrido.
cris8.reuter@hotmail.com

Olá!! Meu pai sempre contou o que aconteceu em Caragua, ele estava na cidade na época a trabalho e ajudou no resgate das vítimas, trabalhou muito reabrindo estradas e removendo a lama e as árvores que desceram da serra, por tudo que me contou ele foi um dos heróis anônimos de Caragua (hj ele está com 80 anos) e lembra de tudo.

De fato foi um fato triste…Li muito a respeito.

Morávamos no bairro do Rio Pardo, no município de Paraibuna, mais próximo da serra de Caraguatatuba, tinha 11 anos e lembro do tremor na casa e um estrondo que ouvi naquela noite. Nos dias que se seguiram só se ouvia falar sobre a tragédia que aconteceu com os moradores de Caraguatatuba e regiões. Só depois de passados muitos dias é que conseguimos ir até o alto da serra, como era chamado o local onde podíamos avistar a cidade de Caraguá, e o que vi nunca mais pude esquecer. Até hoje, quando chego no alto da serra, enxergo a serra exatamente como vi naquele dia. Ainda me emociono.

Realmente foi terrível.

Obrigada pela visita.

Boa tarde a todos,
estou morando em caragua á 8 meses,
eu,minha esposa e meu filho estamos apaixonado pela cidade,esses dias choveu muito aqui,transbordou alguns rios,é triste em saber que muito pessoas morreram soterradas,algumas nao sabia nem oque estava ,acontecendo,meus pesames as familias,só Deus para confortar o coração dessas famílias e muito força para superar essa tragédia,forte abraço a todos,e que Deus nos proteja

Minha mãe,minhas tias e minha avó são sobreviventes dessa enchente!

Graças a deus mas foi horrível mesmo…Até hoje não se sabe qtos morreram ao certo.

Obrigada pela visita…realmente foi uma história triste.

Boa noite
Frequento Caragua desde 1969,meu pai tinha um tio de nome Aleixo Gomes de Assumpção morava ai na epoca da tragedia. Nunca mais tivemos noticias dele e da familia toda dele. Achamos que foram todos mortos na tragedia.

Comentar